1º texto: NUNCA DEIXE DE SONHAR

Um homem sem sonho é um homem sem vida, pois bem, essa é uma das frases que tento manter sempre viva em minha memória e nas minhas ações . Desde muito jovem já vivia as preocupações de uma escolha de carreira e sentia o drama de não ter uma decisão concreta do que queria fazer, ou ser no futuro. As opções que passavam em minha mente eram as mais diversas: direito, veterinária, relações públicas e até mesmo chegar a presidência da república, parece loucura? Até pode ser, mas sonhar não faz mal a ninguém.

Era apenas um aluno da 6ª série do primeiro grau, com apenas doze anos de idade e preocupações que geralmente só eram vistas em estudantes do 2º grau. Timidez sempre foi um grande empecilho em minha vida, só que contradizendo essa característica sempre tive habilidades com a oratória,fato que intrigava a muitos. Na escola em quase todos os trabalhos era requisitado como o porta-voz do grupo, justamente por essa facilidade e clareza no falar. Nesse momento o menino que se mostrava introspectivo e inseguro em alguns momentos, mostrava segurança em suas palavras e criava cada vez mais empatia com seus professores e colegas de classe.

Mas antes de acontecer tudo isso, foi preciso tomar uma decisão que mudou minha vida positivamente.Vinha de um colégio em que já tinha estudado desde o maternal e isso já estava se tornando enfadonho para mim,pois,sempre eram as mesmas pessoas e muitos professores já eram de meu conhecimento. Foi então que conversei com meus pais e lhes disse que queria estudar na escola em que minha mãe coordena até hoje. Nunca pensei que essa mudança pudesse fazer tão bem. O ambiente novo, novas pessoas, outros professores, a presença de minha mãe na escola, não como figura materna, mas como minha coordenadora. Tudo isso contribuiu para o resgate de minha confiança e fizeram com que eu perdesse mais minha timidez.

As pessoas creditavam muita confiança no que eu dizia e nas minhas opiniões também, foi então que muitos colegas começaram a indagar porque eu não tentava um curso na área de comunicação,e eu meio que duvidava disso. Como poderia ser um jornalista, um comunicador, se muitas vezes era meio acanhado. Foi então que comecei a pensar e ir amadurecendo essa idéia e cheguei a conclusão que poderia sim ser um profissional de comunicação. E o que era indagação acabou com o tempo se tornando um sonho, com isso mantive minha posição e fiz o primeiro e segundo grau cada vez mais idealizando esse caminho a trilhar, essa meta a ser alcançada.

Ao fazer os vestibulares acabei passando em relações públicas pela UCSAL (Universidade Católica de Salvador), foi um momento de alegria e festa, só que tinha consciência que esse não era meu destino. Fiquei um pouco chateado porque vivi o lado bom de ter passado em um vestibular, mas ao mesmo tempo tinha a certeza que minha opção não era essa. Mas o mais importante foi receber o apoio da família , que sempre respeitou minha escolha, e imediatamente meus pais me perguntaram se eu queria fazer um cursinho. No início fiquei um pouco relutante, mas depois vi que essa era a melhor solução naquele instante. Fiz um ano de cursinho e pra dizer a verdade foi muito prazeroso. E finalmente depois de um ano inteiro de estudos, chegaram os tão temidos vestibulares, que pra dizer a verdade nada mais foram do que a recompensa dos meus estudos. Fiz todas as provas e agora estava aguardando os resultados, infelizmente não consegui passar para segunda fase da UFBA, mas tinha esperança em passar na UESB já que tinha feito boas pontuações. Passados alguns meses me lembro de estar em casa ,quando então recebi um telefonema alguns dias depois do São João,era um colega de cursinho meu que já se encontrava em Vitória da Conquista, estava cursando farmácia. Ele simplesmente me perguntou: "E aí Celso, tá preparado para morar em Conquista?" Nesse momento eu ria de nervosismo, tinha várias reações em um mesmo momento. Afinal não tinha nada melhor que uma boa notícia depois de tanto estudo e dedicação.

Chegando então em Vitória da Conquista fiz minha matrícula e retornei a Santo Antonio de Jesus para terminar de organizar minhas coisas e preparar para começar a faculdade. Na primeira semana foi aquela festa, tivemos o trote, fomos apresentados a esse novo mundo que é a academia e começamos a cursar o primeiro semestre. Hoje estou cursando o terceiro semestre de comunicação e vejo que todo o esforço está sendo recompensado. Mas tenho objetivos ainda maiores, sempre sonhei em trabalhar em uma grande emissora de televisão, parece um desejo meio utópico para algumas pessoas, mas almejo muito isso e penso que o primeiro passo para a realização desse sonho é trabalhar e acreditar que possa ser possível concretizá-lo.

1º texto: REPTANDO OS DIAS DE UM ADOLESCENTEMENTE APAIXONADO


Hoje em dia, não se encontra, com facilidade, jovens dispostos a assumir um compromisso sério com uma garota, e muito menos a ir pedir permissão aos temíveis responsáveis da donzela. Já eu faço parte do que restou da classe erudito-apaixonada que ainda se atreve colocar em jogo um aglomerado de emoções e encarar o medo de um “não”, ao desafiar aqueles que, tão veementemente, alimentaram e sustentaram (não somente no aspecto físico) a eterna “garotinha do papai”. Este seria, para mim, o desafio culminante em um período incendiado pela contínua busca da camuflagem, banal no amor entre adolescentes.

Esta temporada de início de namoro foi adoçada pelo gosto do proibido, pela sensação de aventura, que excitam a alma adolescente. As pequenas aventuras eram o bastante para nossos corpos começarem a dançar involuntariamente, devido aos espasmos que se harmonizavam com as contrações musculares nos momentos de deleite dos lábios. Beijávamos deliciando o sabor do amor que nós havíamos construído proibido; abraçávamos sentindo o ardor da paixão e o calor da tensão, esperando que aquele momento não fosse uma imagem de contemplação para quem passeava pelas proximidades.

Porém, numa noite de domingo daquele ano de 2007, próxima à transição do quarto para o quinto mês, o desejo de invisibilidade foi frustrado por quem temíamos com mais intensidade: logo depois de vinte e três dias e algumas horas desde o primeiro beijo, estávamos no mesmo local onde houve o nosso primeiro encontro, quando, de repente, um carro, como se estivesse movido pela raiva, corta os ventos da rua paralela; reconheci e simultaneamente um frio subiu dos pés à cabeça: - Amor, é o nosso reverendo. Éramos cientes que nossos líderes religiosos não apoiavam um namoro refugiado tão somente na paixão, exigiam de nós um amor burocrático e cheio de processos para que ele se tornasse realidade; talvez porque, diferentemente de mim e da minha amada, eles não viviam e, portanto, não sabiam com exatidão de como era forte o que nos movia. Ao chegar próximo, o carro pareceu esquecer-se da veemência com a qual vinha trafegando, era a certeza que algo desagradável iríamos ouvir. E assim foi, depois de uma rápida prosa com a conjugue do sacerdote. Ela tentou transformar aquele momento desconfortável no mais ameno possível e nós nos fizemos farsas de nós mesmos ao aparentarmos brandos.

Eu, um garoto reconhecido pela retidão e bom caráter, e a minha amada Marcela, figura viva da linda donzela, havíamos sido vítimas de uma das mais antigas ridicularidades humanas, a fofoca. Ainda naquela noite, um pouco mais tarde, fui alvo de olhares sedentos em olhos salientes que só esperavam a minha chegada cabisbaixa, mas não viram o que desejavam, cheguei como se não houvesse, devorando-me por dentro, o calor da tensão e preferi tremer a alma que o corpo.

Percebi que a hora do desafio culminante estava próxima. Depois de tantos frios na barriga, desafiar a timidez e a incerteza de êxito aparentava ser o que faltava; teria agora que, como um clássico apaixonado, pedir o apoio dos pais da senhorita minha amada que ainda nem havia chegado aos quinze anos. Após exato um mês desde o primeiro beijo, minha amada era a debutante do dia e fiz-me presente na sua festa, abrilhantada com amigos e parentes. Era o dia e o momento propício para que a razão matriz de todas as camuflagens fosse extinta.

Que aniversário! Que festa! Que suspense! Noite de domingo, parentes à mesa, amigos rindo e se divertindo com os papos que só adolescentes entendem; alguém veio me comunicar que o momento era chegado, era a minha vez de ser uma personagem naquela festa. Com minhas mãos tremendo em ritmo com os pés e o suor clareando o rosto que eu queria esconder, eu, o menino de apenas dezesseis anos, banhei-me de uma ousadia adulta e formalmente, como pede a burocracia familiar e religiosa, solicitei o apoio dos pais da amada para um namoro constituído por uma paixão antiga e por uma paixão conquistada. Impetrei, ali, uma grande glória e graça. Dando as mãos, eu e minha amada Marcela saímos com sensação de imunidade às censuras. Já nos beijávamos à vontade, só não havia mais o gosto do proibido, mas saboreávamos o sabor de um amor forte, que encarou desafios e sacrificou algumas vontades, no afã de ser um amor incensurável. O frio na barriga ainda era constante, oriundo do prazer em dizer para a amada: Eu tenho você e você a mim, nada agora nos impede e fomos nós que conseguimos esta graça. Foi tudo por amor.