2º texto: O MAIS SINCERO IMPULSO ADOLESCENTE


Ramon e Marcela eram dois adolescentes da cidade de Potiraguá, interior da Bahia, onde não havia muito o que fazer. Ruas desertas, poucos jovens sentados à porta da igreja, contando estórias engraçadas e compartilhando a vida alheia. Era difícil fazer algo e fugir dos olhos da praça.

Ramon, criado nos princípios protestantes, foi educado para se afastar de qualquer tipo de imoralidade. Marcela era uma moça discreta e também, desde pequena, foi educada nos princípios evangélicos. No ano de 2007, no sexto dia do mês de abril, os adolescentes, apaixonados, tiveram o primeiro encontro, e a partir daí começaram a encarar alguns problemas.

A primeira dificuldade era conseguirem não serem vistos enquanto namoravam, principalmente pelos irmãos da fé, que julgavam profano quem se camuflava. Mas se escondiam não devido a maus interesses, Ramon queria algo sério com a Marcela, para isso ele teria que conseguir a aceitação dos pais da garota. Antes que o adolescente, de apenas dezesseis anos, tivesse a iniciativa adulta de ir aos responsáveis da menina, o casal foi surpreendido pelo líder religioso da igreja a qual frequentava, que o encontrou numa praça, localizados numa parte escura, propícia para quem se esconde algo. O pastor não chegou a descer do carro, com o qual dirigia estrategicamente em volta do local, a esposa dele foi aos adolescentes e lá conversaram ligeiramente. Ramon e Marcela pareciam calmos, mas apresentavam alguns vestígios de susto, mesmo com a conversa aparentemente amena, pelo menos no tom das vozes. Depois de ter levado a garota à casa dela, Ramon foi a uma praça onde se encontravam os irmãos de fé; todos o olhavam estranhamente, como se esperassem alguma novidade. Na verdade, os amigos já sabiam do ocorrido, isto porque o pastor e sua esposa foram informados por meio de duas jovens, do mesmo grupo de amigos, que haviam espiado a trajetória dos adolescentes naquela noite. Todos acompanharam o movimento, mas apenas um do grupo contou a Ramon o que foi que levou o reverendo ao local onde namoravam.

Naquela semana, o pastor aplicou uma disciplina corretiva no casal e a condição dada pelo sacerdote era: só namorar após a aprovação dos pais.

Marcela estava prestes a completar quinze anos e alguns planos sobre o namoro já eram cogitados para a festa de aniversário. Chegando o dia da festa, já havia se cortado o bolo, Ramon recebeu um recado, a mãe da adolescente estava o chamando no exterior do salão. Até o momento, ele não tinha a certeza se era a hora planejada, porém era realmente o motivo da convocação. Fora do salão, ele se deparou com a amada acompanhada pelos pais. Já nervoso, pois nunca tinha vivido algo igual e também devido à timidez endêmica no garoto, confessou, tremendo as mãos e suando todo o corpo, o amor que sentia pela filha deles. Após argumentar a imaturidade da filha para viver um namoro, o pai da garota autorizou, em dizer perceber o amor que envolvia o casal.

Ainda tremendo e molhado de suor, Ramon deu as mãos à sua namorada, a beijou, e saíram com uma sensação de missão cumprida. O namoro perdura até hoje e não dá sinais de desgaste. Algo que pareceu ser somente impulso adolescente revelou-se enredado por sinceridade.

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